Ciência e Tecnologia

Produto gerado em incubadora da UEL será testado por multinacional - 13/05/2011 14:50

Um programa de computador (software) desenvolvido na Incubadora Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Intuel) para controlar a umidade de cereais e grãos em silos e armazéns agrícolas será testado em breve por uma multinacional do ramo agrícola. Esta é a primeira vez que o produto, resultado de 10 anos de pesquisas, e transformado em protótipo em apenas 65 dias, será aplicado numa indústria de grande porte.

Apresentado na Feira Paranaense de Negócios entre Empresas, Universidades e Instituições de Pesquisa (Inovatec 2011), a primeira do gênero realizada no Estado, o software proporciona uma economia de até 40% de energia elétrica, informa Leandro Martini Chagas, diretor da Droitech, empresa “incubada” na Intuel. “Para um silo com capacidade de 100 mil sacas de grãos, isso pode representar quase meio milhão de reais a mais no caixa da empresa. Imagine a economia para centenas de silos”, afirma.

A união de três empresas, uma de motores (Weg), uma do setor de armazenamento de grãos (Agroindustrial Rezende) e outra da área de desenvolvimento de hardware e software (Droitech) foi fundamental para a construção e sucesso do produto, observa Leandro Chagas.

“Esse é um produto inovador por excelência”, afirma o diretor da Agência de Inovação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jair Scarminio. “Traz ganhos reais e está pronto para ser usado pelo mercado”, acrescenta. O software também despertou interesse de um órgão do próprio governo estadual, o Instituto Agronômico do Paraná, que descobriu o produto durante a Inovatec, encerrada semana passada em Curitiba.

Outra pesquisa que chamou atenção na feira está relacionada ao tratamento da corrosão nas tubulações de petróleo e gás. Na feira, a Petrobras de Araucária conheceu o trabalho desenvolvido pelos departamentos de Biologia, Genética Estrutural e Molecular, Química e Engenharia de Materiais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que participou com 11 cadeias industriais das 16 ofertadas pela organização do evento (70%).

INTERAÇÃO – “Existe um interesse crescente dos pesquisadores em interagir com as empresas. Para essa feira, a UEPG levou quase trinta pesquisadores, entre professores e bolsistas, com propostas concretas de parcerias em pesquisa e desenvolvimento”, disse o diretor da Agência de Inovação da universidade, João Irineu de Resende Miranda.

“Empresas e universidades estão conversando mais atualmente”, reforça Angelo Luiz Maurios Legat, da Agência de Inovação e Propriedade Intelectual da agência, referindo-se às resistências entre os dois setores, agora “em ritmo decrescente”. “Mas há ainda barreiras como, por exemplo, a licença para o pesquisador trabalhar dentro de uma indústria”, cita. “Isso só será possível com a homologação da lei paranaense de inovação”, afirma.

Para o coordenador do Grupo de Apoio Empresarial da Incubadora Tecnológica da Universidade Estadual de Maringá (UEM), professor Marcelo Farid Pereira, há hoje grande demanda por inovação no Paraná. Para atender melhor, a instituição está ampliando a atuação do seu Núcleo de Inovação Tecnológica e treinando profissionais para atuar com patentes e inteligência de prospecção, informa. A UEM depositou cerca de 50 patentes, em várias áreas do conhecimento.

LEI DE INOVAÇÃO – Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alipio Leal, eventos destinados à aproximação entre a academia e o setor produtivo serão fortemente incentivados pelo governo estadual. “A intenção é promover várias rodadas de negócios, em todas as regiões do Estado”, disse.

O secretário também informou que a Seti está trabalhando na aprovação da lei de inovação, “o grande instrumento de consolidação dessa aproximação estratégica”. Além disso, já oferta, por meio do seu Núcleo de Inovação Tecnológica (Nitpar) vários serviços gratuitos nas áreas da propriedade intelectual, marcas e patentes, entre outros.

“É necessário que o Paraná promulgue a sua lei específica de inovação, a exemplo do que já aconteceu com os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, defende o coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica da Universidade Estadual do Oeste, Jorge Bidarra. “Associado a isso, é também necessário adequar as leis estaduais de licitação e de prestação de serviços, como forma de garantir a dinâmica requerida pelos processos de inovação”, complementa.

TECNOLOGIAS – “Inovação deve ser entendida como uma solução nova que é efetivamente oferecida à sociedade. Ela precisa ingressar na vida das pessoas e das organizações”, opina Sérgio Scheer, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo ele, o mecanismo de transferência de tecnologia pode ser na forma de cursos de extensão, comercialização de patentes, produção bibliográfica dirigida, prestação de serviços tecnológicos, entre outros. “As soluções devem contribuir com o meio ambiente, promover a equidade e a coesão social e fazer sentido econômico”, conceitua.

Em 2010, e pela primeira vez em sua história de quase 100 anos, a UFPR transferiu, para o setor industrial, como resultado de suas pesquisas, duas patentes: a primeira melhora o tempo de permanência de fertilizantes no solo com o uso de um polímero biodegradável e a segunda refere-se a um biorreator para a produção de vacinas e células vegetais.

Assim como as demais universidades estaduais, a Unioeste e a Universidade Estadual do Centro Oeste também levaram para a Inovatec 2011 resultados da sua atividade intelectual.

Na Unioeste, as principais linhas de pesquisa com potencial para futuras parcerias, segundo informa Jorge Bidarra, coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica da instituição, estão nas áreas do Agronegócios, Bioenergia e Energia, Conservação e Manutenção de Recursos Naturais, Sistemas Biológicos e Agroindustriais, Biociências e Saúde, Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, Aqüicultura, Produção Animal, Química e Bioquímica, Tecnologias de Informação e Comunicação e Sistemas de Gestão. “Os contatos feitos na feira estão, nesse momento, em fase de articulação, com possíveis e reais avanços nas conversações”, adianta.

A Unioeste está em fase de concretização de transferências de tecnologia de quatro produtos tecnológicos, envolvendo uma empresa sediada em Toledo, no sudoeste estado: um gasoduto para transporte de biogás; um sistema para remoção do gás sulfídrico e do gás carbônico contido no biogás; um dispositivo para depuração da umidade residual contida no biogás; e outro para pré aquecimento de comburente utilizado em motores de combustão.

A Agência de Inovação da Unicentro (Novatec) apresentou suas potencialidades, patentes e pesquisas protegidas com o objetivo de fazer transferências de tecnologia e acordos de cooperação nas áreas de Bioenergia, Combustíveis, Meio Ambiente, Química e Florestas. “Empresas e pesquisadores deverão entrar em contato conosco para estabelecer esses acordos”, disse Leandro Cesar, diretor da Incubadora Tecnológica de Guarapuava (INTEG).

POTENCIAL – “Micro e pequenas empresas podem estar nesse momento procurando soluções para um problema de ordem tecnológica sem saber que essa solução existe, que ela foi desenvolvida dentro de uma universidade ou instituto de pesquisa e que está pronta para ser usada”, exemplifica Maria Elizabeth Lunardi, coordenadora de ciência e tecnologia da Seti. “Mas esse é um caminho de mão dupla. A cooperação é importante tanto para essas empresas quanto para as universidades que, a partir de casos reais, podem não só alimentar suas agendas de pesquisa, mas também aperfeiçoar as atividades de ensino e formação profissional”.

Também participaram da Inovatec 2011 as instituições federais de ensino e pesquisa (UFPR, a UTFPR e a PUC-PR). Entre várias outras entidades, apoiaram o evento, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e a sua vinculada, a Fundação Araucária, entidade de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico.

Serviço

Mais informações sobre produtos tecnológicos disponíveis nas universidades estaduais podem ser obtidas nos seguintes endereços:

NITPAR – Núcleo de Inovação Tecnológica do Paraná/Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. www.nitpar.com.br.(41) 3281-7400.

AINTEC – Agência de Inovação Tecnológica da UEL. www.aintec.uel.br (43) 3371-5812.

NIT – Núcleo de Inovação Tecnológica da UEM. www.uem.br (44) 3261-3861.

AGÊNCIA DE INOVAÇÃO E PROPRIEDADE INTELECUAL DA UEPG www.uepg.br (42) 3220-3263.

NIT – Núcleo de Inovação Tecnológica da UNIOESTE (45) 3220-3286.

NOVATEC – UNICENTRO www.unicentro.br/novatec (42) 3624-3328.

Áudio:

Recomendar esta notícia via e-mail:
  • Imprimir
  • Recomendar
  • Compartilhe
  • PDF
  • Inicial
  • Voltar

O que já publicamos sobre:

Últimas Notícias:

Leia mais