Segurança

Quadrilha de extermínio formada por PMs é desmantelada em Curitiba - 16/06/2005 16:30

A força-tarefa formada entre a Secretaria da Segurança Pública do Paraná e a Polícia Federal desmantelou, nesta quinta-feira (16), na região de Curitiba, uma das maiores quadrilhas de extermínio do país, formada por policiais militares, advogados e assaltantes. “Esta operação foi provocada pelo pedido feito por mim ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, pelo qual solicitei a cooperação da Polícia Federal. Realizamos uma verdadeira limpeza na Polícia Militar”, disse o governador Roberto Requião, ressaltando a importância da parceria, na abertura da entrevista coletiva que divulgou os primeiros resultados da operação.

A quadrilha é apontada como responsável pela execução do major Pedro Plocharski, subcomandante do 13.º Batalhão da PM, na capital, e ainda por pelo menos 30 assassinatos só no ano passado. De acordo com as investigações, a mesma quadrilha é ligada ao tráfico internacional de drogas e armas, roubo a estabelecimentos comerciais e transporte de valores, roubo e receptação de veículos e organização de milícias armadas contra sem-terra. A descoberta dos assassinos do major era uma das prioridades determinadas pelo governador à Secretaria da Segurança Pública.

Os primeiros resultados foram apresentados em entrevista coletiva no Palácio Iguaçu, durante a tarde, com a participação do secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, do subcomandante-geral da Polícia Militar, tenente-coronel José Paulo Betes, e do superintendente da Polícia Federal no Paraná, delegado Jaber Makul Saad. “A limpeza que fizemos na PM com esta operação é para a maioria absoluta dos policiais, que é honesta, trabalha com dedicação”, disse Delazari.

A grande ação policial batizada como Operação Tentáculos foi deflagrada às 6h desta quinta-feira (16) para cumprir 29 mandados de prisão preventiva e outros 85 de busca e apreensão. Entre eles, seis PM´s, dois ex-policiais militares e três advogados foram presos. Dois escritórios de advocacia, 25 residências de policiais, salas do 13.º BPM em Curitiba e celas da Colônia Penal Agrícola e da Casa de Custódia de Piraquara, na região metropolitana, foram vasculhadas pelos policiais da força-tarefa. Um quarteirão inteiro onde funcionava um desmanche de veículos também foi vistoriado pelos policiais. Até o começo da tarde desta quinta-feira, 24 pessoas haviam sido presas em cumprimento a mandados judiciais e outras cinco em flagrante. Duas motos, R$ 50 mil em dinheiro e outros 15 carros, entre eles o Golf verde usado para a execução de Plocharski, foram apreendidos.

Mais de 400 policiais civis, militares e federais, com 90 viaturas, cumpriram os mais de cem mandados de prisão e de busca e apreensão simultaneamente em Curitiba e região. “Esta é a maior operação policial da história do Paraná. Foram meses de investigação profunda que terminou com a prisão de policiais que são verdadeiros criminosos. Esta é a grande prova de que vamos limpar a polícia do Paraná e colocar atrás das grades pessoas que usam da farda, do poder da profissão, para cometer crimes bárbaros”, disse o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari.

De acordo com o secretário, a quadrilha começou a ser desmantelada a partir das investigações que apuravam o assassinato do major Plocharski, que aconteceu em janeiro deste ano. Testemunhas da execução e pessoas próximas ao major levaram a polícia a investigar a possível existência de uma organização criminosa formada por policiais militares lotados no 13.º Batalhão. “A polícia descobriu que o próprio major já havia detectado a existência desta quadrilha e tentava desmantelá-la”, disse.

Delazari ainda informou que as investigações continuam. Segundo ele, há outros tipos de crimes sendo apurados. “Tem muita gente ainda envolvida e que será investigada e presa. Esta operação ainda vai se desdobrar em uma outra”, disse.

Execução – O major Pedro Plocharski foi morto no dia 28 de janeiro deste ano, por volta das 19h, logo depois de deixar o quartel do 13.º BPM rumo a sua casa. Plocharski que dirigia seu carro modelo Fusca, no bairro Pinheirinho, foi fechado por um Golf, de cor verde, com três ocupantes que dispararam tiros de escopeta e de uma metralhadora 9 milímetros. O policial morreu na hora.

De acordo com o delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, chefe da Delegacia de Homicídios, em Curitiba, o assassinato começou a ser desvendado quando testemunhas do crime reconheceram, através de fotografias, dois ex-policiais militares como autores do assassinato. Moacir Possamai Girardi, ex-soldado, excluído da PM por problemas de disciplina, foi apontado como motorista do Golf e Alberto da Silva Santos, ex-aspirante a oficial da PM, condenado por ser o responsável pelo incêndio da Procuradoria de Investigações Criminais, foi apontado pelas testemunhas como autor dos disparos que mataram o major.

Além disso, durante os depoimentos e investigações, a polícia descobriu que o major Plocharski já desconfiava de um grupo de policiais militares que estariam ligados ao tráfico de drogas e assaltos na região. “A desconfiança do major lhe rendeu inimizades e lhe custou a vida”, disse o delegado. Segundo ele, a “gota d´água” para a quadrilha foi a morte de um criminoso, logo depois de um tiroteio envolvendo PM´s e traficantes.

Desconfiado que o traficante havia sido executado pelos policiais, o major teria dado ordens para apreender as armas usadas no tiroteio e também para que fosse instaurado um procedimento administrativo para investigar o caso. “Para proteger toda a organização criminosa de qualquer tipo de ameaça, o grupo era capaz de cometer crimes bárbaros. O major Plocharski se tornou uma ameaça e foi executado sumariamente”, explicou Cartaxo.

Envolvidos – De acordo com as investigações, pelo menos três policiais militares que trabalham no 13.º BPM participaram ativamente da execução de Plocharski. Os soldados Sandro Delgobo e Ari Camargo teriam dado cobertura aos assassinos do major, no dia do crime. Já o soldado Arilson de Lima da Cunha é apontado como o informante do cotidiano de Plocharski para a quadrilha. Cunha teria telefonado da guarita do quartel do 13.º BPM, para avisar os criminosos sobre o horário de saída do major.

As investigações indicam a participação ativa dos três PM´s em um grupo de extermínio que trabalha para o tráfico de drogas, roubo e receptação de veículos e roubo a estabelecimentos comerciais na região do 13.º BPM. O soldado Delgobo chefiaria o grupo do qual fazem parte o ex-tenente Aberto Silva, que atirou contra o major, e o ex-PM Moacir Girardi, que dirigiu o carro Golf, usado para a execução de Plocharski. Além deles, estão ligados à quadrilha policiais do serviço reservado da polícia militar, vários assaltantes e traficantes de drogas. “Ele servia como um elo de ligação entre as quadrilhas criminosas de tráfico de drogas, de roubo de veículos, roubo de estabelecimentos comerciais e o grupo de extermínio”, disse o delegado Cartaxo.

Veja no anexo a primeira lista das pessoas detidas

BOX – Operação Março Branco antecipou a Tentáculos

O tenente-coronel Valdir Copetti Neves, preso na operação Março Branco, acusado de comandar uma milícia armada no campo contra grupos sem-terra, também faz parte das investigações da Operação Tentáculos. De acordo com a Polícia Federal, a operação Março Branco foi uma espécie de antecipação da Tentáculos.

As investigações, além de apontar Neves pelos crimes que já foram denunciados pelo Ministério Público Federal, indicam sua ligação com a empresa clandestina de segurança “Sigilo”. Segundo o delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, policiais militares ligados a assaltantes planejavam e executavam roubos a comerciantes da região do 13º BPM (Sul da cidade) em Curitiba e depois ofereciam o serviço clandestino de segurança. “Eles agiam como as máfias italianas ou chinesas assaltando comerciantes e obrigando-os a contratar o serviço de segurança. Eles mesmos roubavam e faziam a segurança. Um absurdo”, disse o delegado.

Além de Neves, as investigações indicam o envolvimento dos soldados PM Sandro Delgobo e Ari Camargo na empresa clandestina. Um policial civil morto logo depois do assassinato do major Plocharski, conhecido como Nego Cido, também fazia parte da empresa. O coronel da reserva e advogado criminal Lúcio Mattos Junior, também preso pela operação, é acusado de receptação de jóias e produtos roubados pela quadrilha. Mattos Júnior é também o advogado do ex-tenente da PM Alberto Silva, condenado pelo incêndio na PIC e apontado como o executor do major Plocharski.

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